REFORMA RE-PROTESTANTE JÁ! ONDE ESTÃO OS LUTEROS???

31/07/2010

Caros irmãos e amigos leitores, não tenho por hábito reproduzir textos que não sejam meus, mas peço permissão para abrir aqui uma primeira excessão. Hoje pela manhã, assisti a parte do programa “Vitória em Cristo”, do Pr. Silas Malafaia, com a participação “especial” do mundialmente conhecido Dr. Morris Cerullo. Com profundo desgosto, optei por mudar de canal e ver a qualquer outra coisa, que não a comercialização do Evangelho de Cristo; a venda de bênçãos e mercantilização de unção. Pensei em escrever sobre o assunto, corri ao computador e, curiosamente, percebi que, poucos minutos depois do término do programa, uma colega bloguista já havia transformado minhas idéias em texto, por sinal, com muita propriedade. Como estou tomado de uma certa indignação, creio que não teria tanta frieza e sensibilidade para escrever sobre o tema tão bem quanto o fez a autora do texto. Por isso, a partir do próximo parágrafo, segue, em negrito, a transcrição do mesmo, incluindo a imagem, os links e endereço.

Houve tempos em que o Evangelho era pregado de graça, com e pela Graça! Hoje, porém, com a desculpa de que Deus precisa do nosso dinheiro (!) para que a obra seja feita, como se Ele não tivesse mais poder por Si só, alguns vendem unções de riqueza e até salvação. Acham que o fim justifica qualquer meio, então se a intenção é pregar o Evangelho, a forma como se financia isso não importa.

No ano passado, o Pr. Silas Malafaia levou ao seu programa o Pr. Morris Cerullo, que lançou a profetada de que Deus derrramaria uma “unção financeira” sobre quem doasse R$ 900,00 ao programa Vitória em Cristo. A bênção tinha até data final para acontecer: 31 de dezembro de 2009. Assim, o programa arrecadou milhões, mas não informa quantos ficaram realmente milionários com a distribuição que supostamente Deus faria das riquezas mundiais. Para maiores detalhes, leia um artigo postado nesse mesmo blog.

Como expirou o prazo da venda da unção financeira (em troca, inteiramente “grátis”, o fiel ainda recebia uma Bíblia de Vitória Financeira e Batalha Espiritual), foi necessário arrumar outra forma de arrecadar dinheiro dos fiéis. Aí o Malafaia importou o Dr. Mike Murdock, que veio com uma profetada ainda maior: em troca de uma “oferta voluntária” de R$ 1.000,00, o fiel conseguiria a salvação de toda a sua família e ainda bênçãos materiais diversas. A salvação, nesse caso, literalmente se tornou um negócio. Se já é grave vender a promessa de riquezas, muito mais é vender a salvação de alguém. Mas, no atual evangelho das “metas”, está valendo. O importante são os números, financeiros e de membros de uma denominação, não as vidas. Também há um artigo aqui explanando melhor isso.

Agora o Malafaia trouxe o Cerullão de volta novamente, com a mesmíssima história de que Deus distribuirá as riquezas mundiais entre os crentes, mas só entre os que tiverem fé suficiente para ofertar “voluntariamente” R$ 610,00. Em outras palavras, o deus deles teria prorrogado a “unção financeira”, e com um bom desconto para liquidar o estoque. Aceita-se depósitos em conta-corrente, pagamento por boleto bancário e, pelo site Vitória em Cristo, pagamento por cartão em até 6 vezes sem juros.

Eu poderia dizer mil coisas, mas a tristeza pela volta da venda de indulgências por parte da igreja evangélica brasileira não me permite. É duro pensar que a vaidade de um homem que se diz de Deus levará ensinos enganosos a lares de 127 países, ensinos de um evangelho mercantilista, sem Graça, onde a bênção precisa ser comprada com a desculpa de que o dinheiro será usado para estender o Reino. Mas, que Reino?

Não sei o deus deles, mas o Deus que eu sirvo é Todo-Poderoso e sabe, antes mesmo que peçamos, dar o que Seus filhos necessitam. Ele nos pede que não sejamos ansiosos pelo que havemos de comer, de vestir, afinal se Ele veste os lírios do campo e alimenta as aves dos céus, muito mais faz por Seus filhos. Ele não necessita que esmolemos ajuda para que Sua obra continue, seja para a construção de templos ou mesmo manutenção de programas de rádio ou tv, pois Ele tem poder para prover aquilo que vem Dele, não da vontade humana. O problema é que muitos fazem a obra por vontade própria, não pela de Deus, e nesse caso precisam recorrer a subterfúgios para manter a arrecadação necessária para prover seus caprichos, mesmo que esses tenham aparência de bem, afinal “pregar a Palavra” é bom, não é mesmo?

O apóstolo (de verdade) Paulo viajou para diversas cidades e países, e nunca precisou vender “voluntariamente” unções ou salvação para financiar seus projetos evangelísticos. Na verdade, a vida que Paulo teve enquanto na terra pregando o verdadeiro Evangelho nada teve de “vitoriosa”: sofreu naufrágios, açoites, prisão, apedrejamento, e ainda teve que conviver com um “espinho na carne”. A “vitória em Cristo” de Paulo foi nos céus, não na terra, onde as riquezas se corroem. Realmente, são bem distintos os evangelhos pregados por Paulo e por Silas (o Malafaia).

Que Deus tenha misericórdia de nós, que não sabemos discernir o que vem de Deus e o que é puramente vontade e vaidade de homens. Que o verdadeiro Evangelho volte a ser pregado, e que o falso evangelho mercantilista um dia deixe de envergonhar o Reino de Deus em cadeia nacional e internacional de rádio e tv.


Extraído do blog “UMA ESTRANGEIRA NO MUNDO”, da autora Vera. URL: http://estrangeira.wordpress.com/2010/07/31/xepa-gospel-uncao-financeira-de-r-90000-por-apenas-r-61000

Publicado em 31 de Julho de 2010, so o título: “Xepa Gospel: unção financeira de R$ 900,00 por apenas R$ 610,00!”

ATÉ QUE PONTO SERVEM AS MÁSCARAS?

19/07/2010

Uma linda canção do cantor mexicano Jesús Adrián Romero toca-me profundamente: “És por tu gracia”. Ela me traz uma estranha sensação de espanto, temor e calafrios. Ao ouvi-la, normalmente reflito sobre minha “nudez” na presença de Deus. No relacionamento interpessoal, todos usamos máscaras, repito, todos. Há sempre uma ocasião em nossas vidas que preferimos disfarçar, como um momento de tristeza, por exemplo. Alguns têm dificuldades de admitir esta verdade, mas isto é um fato. Somente Jesus não usou máscaras, nunca. Ele é a Verdade absoluta.

Na influente cultura grega, séculos antes de Jesus nascer, as famosas peças teatrais eram encenadas por atores que usavam múltiplas máscaras ao longo de uma mesma apresentação, representando diversos personagens. Havia sempre uma máscara apropriada para cada momento da peça; para tragédia, um modelo; para comédia, outro; para drama, outro. Normalmente, um mesmo ator atuava nos diferentes momentos da apresentação, transitando de um personagem para outro com uma simples e estratégica troca de máscaras.

As máscaras são convenientes; elas disfarçam uma identidade. Que o digam os assaltantes de banco! Jesus censurou severamente os fariseus por seus disfarces: usavam máscaras de piedade sobre rostos sem misericórdia; máscaras de santidade para disfarçar uma conduta reprovável; se revestiam de religiosidade para cobrir a insensibilidade espiritual. Como Jesus reagiu a estes fatos? Desmascarando-os! Jesus tornou pública a hipocrisia daqueles líderes religiosos. O Mestre nunca teve dificuldades em conviver com pecadores; prostitutas, ladrões, mercenários e outros tantos sempre o rodeavam. Todavia, não se dava com os “atores”; aquele que era capaz de sondar mentes e corações e que conhecia a verdadeira identidade das pessoas rejeitava completamente suas máscaras. Não por acaso ele era tão odiado pelos fariseus.

Podemos nos disfarçar perante as pessoas, não perante a Deus. Não há máscaras que nos escondam diante daquele que nos criou! Na presença de Deus, como disse o escritor aos Hebreus, todas as coisas estão nuas e patentes. Não há meios de camuflagem para os nossos pecados. Podemos ostentar aparência de força perante as pessoas, mas Deus vê nossas fraquezas. Podemos manter aparência de piedade diante dos homens, mas o Senhor conhece as intenções do coração. Podemos usar máscaras para disfarçar nossos medos, decepções e mágoas, mas não podemos nos esconder daquele que sabe e vê todas as coisas. Podemos esconder realidades por trás de ficções; sorrir quando estamos tristes, abraçar quando queremos distância, demonstrar forças quando estamos fragilizados, mas isto só funciona perante os homens, não diante do Senhor!

Deus nos conhece intimamente! Quando ninguém nos vê, ele está nos contemplando. Podemos mentir aos que nos rodeiam, mas mentir a Deus é, no mínimo, perda de tempo. Nosso coração fica completamente descoberto na presença do Senhor. Diante dele, qualquer atitude que não seja sincera será inútil. O calor dos seus olhos derrete toda “cera”. Aliás, cabe aqui dizer sobre a origem do termo “sincero, ou sinceridade”. Vem do latim “sin cera”, e faz referência à estratégia de comerciantes medievais que disfarçavam trincas e rachaduras de vasos ornamentais e esculturas usando cera. Depois de aplicada, o produto era lixado, alisado e envernizado, camuflando assim os seus defeitos. Naturalmente, era uma questão de tempo pra que eles fossem revelados, afinal, a cera se derrete a uma mínima exposição ao calor. Logo, ser sincero é literalmente ser “sem cera”, sem máscaras. É ser o que é na essência, e não na aparência!

Toda aparência se desfaz, tal como cera, diante dos olhos do Senhor. Nossos trincos e rachaduras talvez estejam cobertos aos homens, mas a cera não funciona com Deus. Podemos brilhar tal qual vaso envernizado perante as pessoas, mas o Senhor nos vê por dentro. Isto nos traz calafrios! Haverá um dia em que todos passaremos pelo fogo do juízo de Deus, no Tribunal de Cristo (2 Co 5.10) ou no Trono Branco (Ap 20.11-15). De um ou de outro jeito seremos todos publicamente expostos, e todos os personagens por trás das máscaras serão universalmente conhecidos.

Que o Senhor nos ajude pra que o nosso julgamento seja o primeiro, no Tribunal de Cristo. Reflita nisso!

Assista abaixo ao clipe da canção “És por tu gracia”, com Jesús Adrián Romero.

VOCÊ É O RESULTADO DAS ESCOLHAS QUE FAZ

17/07/2010

Somos o resultado das nossas próprias escolhas. Tenho pregado regularmente sobre o assunto, com base em diferentes passagens bíblicas, na vida dos mais diversos personagens que, ao longo de sua existência, alcançaram tanto o sucesso quanto o fracasso como resultado das escolhas que fizeram. Sob a luz da experiência desses grandes homens e mulheres da Bíblia, temos parâmetros para as nossas escolhas, sabendo por antemão que elas resultarão em consequências, boas ou más. Assim, uma escolha nada mais é do que uma semente semeada. Se plantamos boas sementes, colhemos bons frutos, senão…

Adão e Eva foram os primeiros a usar a faculdade da escolha. Ao serem postos no Jardim de Deus, gozavam de plena liberdade e domínio sobre toda a criação, sendo-lhes vetado somente o fruto da árvore do meio do Jardim, a do conhecimento do bem e do mal. Engodados, seduzidos e induzidos pela serpente, fizeram suas escolhas. Observe que usei três adjetivos para o tentador, mas nenhum deles expressa imposição. Adão e Eva desobedeceram à ordem de Deus, não porque tenham sido obrigados, mas porque escolheram fazê-lo. O resultado da escolha? Todos sabemos… Quanta tragédia! Abriram portas para a entrada da morte; foram banidos da presença de Deus e contaminaram com a semente do pecado toda a humanidade! Doenças, violência, miséria, corrupção, ódio e tantas outras moléstias mais se instalaram no homem como fruto da semente plantada pelos primeiros pais.

Caim foi o primeiro homem nascido de mulher. Era filho de Adão e Eva, que haviam sido criados por Deus. Logo, Caim ocupa o posto de primeiro legítimo representante da humanidade, por cumprir o ciclo natural da vida humana: nascer, crescer e morrer. Assim como seus pais, também fez suas escolhas. Escolheu o produto da terra como sacrifício para Deus. Escolheu mascarar as verdadeiras intenções do seu coração quando apresentou-o ao Senhor. Escolheu vingar-se do seu irmão Abel por ter sido este agradável ao Senhor. As escolhas de Caim foram trágicas, como igualmente foram as consequências delas.

Ló cometeu graves erros ao fazer suas escolhas. Suas decisões refletiram em sua família, e ele pagou caro por isso. Sei que já abordei parte delas num dos posts anteriores, mas vem ao caso repeti-las, mesmo porque Ló é um vívido modelo a não ser seguido. Tudo começou quando ele deixou-se dirigir pelas vistas, o oposto de viver pela fé. Péssima escolha! O que agrava seu erro foi o fato de não aprender sobre a fé com o “pai” dela, seu tio Abraão. Na carreira espiritual, a fé é fundamento; alicerce. É sobre ela que devemos construir nossos sonhos, projetos, metas. Dirigidos por ela é que devemos fazer nossas opções, tomar nossas decisões. Deixar-se conduzir por critérios meramente humanos é assumir um alto risco de fracasso. Quando Ló escolheu as planícies verdejantes do Jordão, motivado pela aparência de vida daquele lugar, ele atraiu para si a morte. Quando seu tio Abraão escolheu seguir caminho oposto, guiado por sua fé em Deus, ainda que indo para um lugar de morte, ele atraiu para si a vida. Logo, tanto vida como morte são resultados das nossas escolhas!

Ao povo de Israel que peregrinava no deserto, Deus propôs que eles próprios escolhessem, entre dois caminhos, qual deles seguir. Um conduzia para a bênção e vida, e o outro, fatalmente, para a maldição e morte: “Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, a morte e o mal; porquanto te ordeno, hoje, que ames o Senhor, teu Deus, que andes nos seus caminhos e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas e te multipliques, e o Senhor, teu Deus, te abençoe na terra, a qual passas a possuir. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, então, eu te denuncio, hoje, que, certamente, perecerás; não prolongarás os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30.15-19). Assim, tanto o sucesso quanto o fracasso da nação de Israel seria resultado de suas próprias escolhas, e não uma imposição por parte do Senhor. Essa lei espiritual continua em vigor. Seremos o resultado de nossas próprias escolhas.

Acaz tornou-se, entre os vinte reis de Judá, o pior. Mau administrador, entregou todas as riquezas de seu reino aos próprios inimigos. Pouco inteligente, aliou-se às nações inimigas como estratégia para escapar à fúria delas. Extremamente idólatra, sacrificou seus próprios filhos, queimando-os vivos, a deuses pagãos. Profanou a santidade do Templo do Senhor em Jerusalém, esvaziando-o da glória de Deus e enchendo-o de imagens de esculturas de divindades das nações vizinhas. Os resultados de sua administração tornaram em ruínas não só a sua própria vida, mas também toda a nação de Judá. A maldição se instalou em Jerusalém. O próprio rei abriu as portas para ela! Ao morrer, sequer um túmulo junto aos sepulcros dos reis ele mereceu, como era o costume.

Ezequias tornou-se, entre os vinte reis de Judá, o melhor. Excelente administrador, resgatou as riquezas do reino e quebrou os vínculos com os inimigos. Inteligente e corajoso, rompeu as alianças com as nações inimigas, ainda que sofrera retaliações delas. Extremamente fiel, aboliu toda idolatria, purificou e santificou o Templo do Senhor em Jerusalém e restaurou tanto o sacerdócio levítico quanto o culto ao verdadeiro Deus. Os resultados de sua administração trouxeram paz e prosperidade, não só para a sua própria vida, mas também para toda a naçao de Judá. A benção se instalou em Jerusalém. O próprio rei abriu as portas para ela! Ao fim de sua vida, recebeu do Senhor quinze anos mais, como reconhecimento de sua fidelidade. Enquanto Acaz foi o pior de todos os reis, Ezequias foi o melhor. O que eles tinham de comum? Quase nada, senão o fato de Acaz, o pior, ser pai de Ezequias, o melhor!!!

Entendeu? O fracasso e o sucesso não são herança, são resultados de escolhas! Os derrotados na vida não o são por culpa de seus pais ou de quem quer que seja. Assim, os bem sucedidos também não o são por méritos alheios. Ambos são resultados de suas escolhas!

José escolheu resistir à tentação, mesmo sofrendo retaliações e injusta punição. Josué e Calebe escolheram acreditar na promessa de Deus quando as circunstâncias eram contrárias. Ananias, Mizael e Azarias escolheram não se prostrarem diante da estátua de Nabucodonosor, mesmo sob a iminente morte na fornalha. Daniel escolheu não se contaminar com os manjares do rei, e sob o risco de ser jogado aos leões, manteve sua fidelidade e o hábito da oração.

Por fim, os ladrões crucificados ao lado de Jesus, na última hora da vida, ambos resolveram fazer suas derradeiras escolhas. Um, prepotentemente, desafiou Jesus a reclamar sua divindade e descê-los dali. Outro, humildemente, reconheceu seu merecimento de estar ali, e apelou para a misericórdia do Nazareno. Como resultado dessa última escolha, um sofreu a condenação eterna, e o outro ganhou a eternidade com Cristo.

Nós somos o resultado de nossas próprias escolhas!

LIBERTAS: VERUS VOLUNTAS PASCHA

24/02/2010

Estamos nos aproximando de uma das principais datas comemorativas do calendário cristão, a Páscoa. A pedido do meu amigo Wesley Rocha, quero escrever aqui um pouco sobre o tema.

Dia desses fui almoçar com uns companheiros num restaurante brasileiro aqui em Atlanta. Como não haviam muitas mesas, tivemos que nos acomodar numa que estava justamente sob um túnel de ovos de chocolate. Fui transportado na mente ao meu tempo de infância, quando contava nos dedos os dias que faltavam para a páscoa, na expectativa de ganhar um daqueles ovos bem grandes, que vêm com pequenos brinquedos dentro. Assim como a esmagadora maioria das crianças e adolescentes dessa geração, este era o único conceito que tinha da páscoa, uma ocasião para ganhar chocolates. Quanta pobreza!

A páscoa tem suas origens na libertação do povo judeu que permanecera cerca de 430 anos como escravos no Egito. Por intervenção divina, dez pragas foram enviadas aos domínios de Faraó para induzí-lo a libertar o povo que Deus havia chamado para si. Ao anunciar a décima praga, Deus orientou a Moisés que todas as famílias dos hebreus estivessem reunidas, cada uma em sua própria casa, e que tomassem um cordeiro para cada família, sacrificassem-no e, com o seu sangue, marcassem as laterais e a parte superior da porta de suas casas. Em seguida, deveriam celebrar uma festa pela libertação, comendo o cordeiro, acompanhado de pães sem fermento e ervas amargosas. A recomendação divina requeria que comessem rapidamente, e que estivessem prontos para uma iminente partida dali.

O termo “Páscoa” vem do hebraico “Pessach”, que significa ressurreição, vida nova. Logo, a páscoa foi estabelecida pelo próprio Deus em celebração à libertação do cativeiro, ao início de uma nova vida que teriam após tanto tempo de escravidão. No entanto, Deus havia arquitetado um sentido ainda mais profundo para a Páscoa. Ela não representaria unicamente a libertação física da escravidão, mas também a espiritual.

Muito embora o povo de Israel houvesse sido resgatado do cativeiro físico, espiritualmente estavam cada dia mais escravizados, vítimas de seus próprios pecados, desobediência e idolatria. Já não estavam sob o jugo de Faraó, mas viveram oscilantes, de geração em geração, entre servir a Deus e desprezá-lo. Essa inconstância ocasionou um irreversível quadro de escravidão espiritual. A páscoa perdera o significado. Já não havia mais sentido em sua celebração, embora continuassem a fazê-la. Meros rituais. Deus não se comprazia mais naquelas festas. Elas já não implicavam mais numa nova vida!

Do alto de sua majestade, infinita graça e misericórdia, o Criador, provedor e sustentador da vida executou o seu plano para a definitiva libertação espiritual de seu povo. Os cordeiros dos rebanhos de Israel já não mais perderiam suas inocentes vidas, afinal, o sangue deles já não passava de objeto de culto. Não havia mais operância e eficiência naqueles transitórios e repetitivos sacrifícios. Um sacrifício superior, perfeito e de caráter definitivo haveria de sucedê-los, e o holocausto perfeito havia sido designado por Deus.

João Batista tratou de ser o porta-voz. Ao ver a encarnação do tão esperado sacrifício na pessoa de Jesus, logo exclamou: “Eis aí o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Em Jesus estava o futuro da humanidade. Sua missão era reconciliar o homem com Deus, não somente do rebelde povo judeu, mas também de toda a humanidade, igualmente obstinada. Em seu sacrifício estava a única possibilidade de libertação espiritual de caráter definitivo para todos os homens. O sindicato dos cordeirinhos de Israel estavam agradecidos. Um último e superior Cordeiro haveria de morrer por todos, e a eficácia de seu sangue seria eterna, sem jamais haver necessidades de quaisquer outros sacrifícios!

A páscoa dos judeus se deu ao tempo em que morriam os primogênitos do Egito. A páscoa da humanidade, em seu verdadeiro sentido, se deu ao tempo em que morria o Unigênito de Deus. Um novo horizonte se desenhou adiante dos hebreus. Já não eram mais escravos de Faraó. Haviam sido convidados por Deus para uma vida de liberdade. Jesus desenhou um novo horizonte para a humanidade, e nos convidou a uma dimensão de vida, e por meio de seu sacrifício nos reintegrou à família de Deus. A páscoa se celebra em família, e agora que somos da família de Deus, podemos celebrar com propriedade a nossa libertação!

No calendário cristão, a páscoa representa a ressureição de Cristo, três dias depois de sua morte. Naquela fria manhã de domingo, quando a tristeza e angústia acampavam em cada esquina de Jerusalém, Jesus ressuscitou para consumar a libertação de todos nós. Sem sua morte, jamais poderíamos morrer para o pecado; sem sua ressureição, jamais viveríamos para Deus.

Não pretendo dar destaque nesse post aos símbolos mais recentemente introduzidos na celebração da páscoa, o coelho e os ovos de chocolate. Penso que a insignificância deles face ao verdadeiro sentido da festa faz com que não mereçam maiores comentários. Apenas quero sugerir aos leitores uma reflexão sobre nossa perspectiva desse tão sublime acontecimento. Cabe aqui uma pergunta: não estariam estes símbolos desvirtuando-nos do real significado da páscoa?

Deus nos ofereceu algo infinitamente superior a um ovo de chocolate. Ele nos deu vida! Uma nova dimensão de vida, livre do domínio do pecado. Já não somos mais escravos, Cristo nos incluiu na família de Deus! Libertas: verus voluntas Pascha” (latim)Liberdade: o verdadeiro sentido da Páscoa!



“MOVING FOWARD”. O SEGREDO DA CONQUISTA

21/02/2010

Tenho ouvido muito ultimamente uma canção marcante, chamada “Moving Forward”, na bonita voz do cantor americano Israel Houghton. O coral de jovens de nossa igreja interpreta uma versão igualmente bonita da música, traduzida como “Avançar”. A certa altura da letra, canta-se “eu não volto atrás, eu vou avançar… Deus fez tudo novo, em Deus eu vou avançar”. Essas expressões, mais que belas, são devidamente respaldadas na Bíblia, e encontram ampla base para bonitos sermões. Entretanto, talvez não seja tão fácil viver esta verdade quanto pregá-la! Digo por experiência própria…

Ló perdeu parte de sua vida. Sua mulher tornara-se numa estátua de sal. Sua dignidade também lhe foi tirada pela astúcia de suas duas filhas, que cometeram um incesto com ele. A origem do problema? Os problemas de Ló começaram quando ele se apartou de seu tio Abraão. O bom senso manda que nunca nos apartemos daqueles que estão sob as bênçãos e promessas de Deus. O que agravou ainda mais a sua má escolha foi o fato de Ló ter deixado se dirigir pelas suas vistas. Ao escolher as planícies verdejantes do Jordão, ele usou como critério a aparente beleza da região, e armou para si mesmo uma armadilha. Ao ser alertado da iminente destruição da cidade onde havia escolhido para morar por causa de sua pecaminosidade, Ló arcou com as primeiras consequências de suas escolhas: teria que fugir apressadamente, deixando para trás tudo o que possuía. A mensagem dos anjos que foram enviados por Deus para salvá-los era esta: “Escapa-te por tua vida, não olhes para trás e nem pares no caminho” Gn 19.17. A sentença havia sido dada. A condição para sobreviver era avançar, sem direito a olhar atrás. Desobedecê-la seria fatal… e foi, para a sua mulher!

Quando os hebreus, após terem saído da escravidão no Egito, depararam-se com o Mar Vermelho adiante de si, ao olharem para trás e perceberem que Faraó vinha no encalço com toda a sua belicosidade, entraram em desespero, murmurando contra o líder Moisés e prevendo a morte cruel e vergonhosa nas mãos de seus perseguidores. Àquela altura, a escravidão no Egito parecia uma alternativa melhor, afinal, eles preferiram não terem saído da condição de escravos a morrer na fuga, como as circunstâncias faziam parecer que aconteceria. No alto do desespero do povo, cercado por todos os lados, era incabível qualquer possibilidade de entrar mar adentro. Quais recursos eram alternativos? Do ponto de vista deles, nenhum. Eram presas fáceis para o exército egípcio. Como se deu a intervenção divina para livrá-los? Recomendando o improvável, o impossível; que seguissem adiante, na direção das imponentes e ameaçadoras águas do mar!

Passado não muito tempo, depois de terem atravessado o mar e ingressarem pelo deserto em direção à Terra Prometida, Moisés recebeu de Deus a orientação para enviar doze espias à região de Canaã. Os espias foram escolhidos mediante o mais rigoroso processo seletivo. Um príncipe de cada tribo de Israel, dotado das mais diversas habilidades, de alta honra e inteligência. Seguramente, a nação confiava neles. Eram, entre todos, os homens certos para a árdua tarefa. Por quarenta dias subiram, desde o sul, do deserto de Parã, até ao norte, esgueirando-se cuidadosamente pelas aldeias, estudando cada detalhe dos povos daquelas terras, calculando suas culturas, o modo de vida, o cultivo da terra. Ao regressarem, traziam um completo relatório de tudo o que viram, e foram unânimes em afirmar que a terra era realmente boa, tanto quanto Deus prometera, “manava leite e mel”. Até aí, tudo bem. O problema surgiu quando dez daqueles espias assumiram suas limitações e inflamaram o povo contra Moisés, alegando que aquelas terras eram habitadas por homens gigantes, hábeis na guerra, possuidores de armas e estratégias bélicas invencíveis. Que resistência poderiam oferecer àqueles exércitos? Como fariam que aqueles bravos e gigantes guerreiros se retirassem de suas próprias casas, de seu próprio território, simplesmente porque Deus havia prometido que lhes daria aquelas terras? Quem de nós agiríamos diferente deles se estivéssemos lá? Quem ousaria a loucura de desafiar as aparentes impossibilidades? Você, que está lendo esse artigo? Muito improvável! Eu, que estou escrevendo? Menos ainda. Até por isso escrevi no início do texto que é mais fácil pregar que viver. Seguramente eu me aliaria aos dez “sensatos” espias, afinal, o relatório deles era verdadeiro, e a reação de não ousar uma investida contra os donos da terra era bastante lógica. Quem cometeria o aparente suicídio? Quem “insanamente” avançaria contra os gigantes? Dois daqueles espias: Josué e Calebe. Se existissem camisas de força àquela altura, certamente encomendariam duas para esses homens. Eles viram o que ninguém mais via; acreditavam no que ninguém mais cria; ousaram o que nenhum mortal em perfeito estado mental ousaria. Afinal, estavam loucos? Não, simplesmente compreenderam que para alcançar as promessas de Deus é necessário avançar!

Bom, o desfecho da história penso que todos conhecem. Toda aquela geração de hebreus que haviam saído da escravidão no Egito morreram no deserto. Foi negada a eles a oportunidade de pisar as terras que Deus havia prometido que possuiríam. A Bíblia informa que seiscentos mil homens com possibilidades de guerrear saíram do Egito em direção à Terra Prometida, o que não incluía mulheres, crianças e velhos. Somados todos estes, talvez quase três milhões de israelitas tenham iniciado o êxodo. Que lástima, todos morreram no deserto! Por quê? Porque eram racionais, tinham “bom senso” e, embora tenham avançado pelo Mar Vermelho que se abrira, acreditavam que não fariam frente aos poderosos exércitos dos gigantes. Eles tinham razão. Não fizeram frente mesmo aos gigantes, porque morreram antes, como castigo por não acreditarem nas promessas de Deus. A excessão foi somente para Josué e Calebe. Somente eles, dos que saíram do Egito, colocaram seus pés nas prósperas terras prometidas, porque avançaram contra as barreiras, remaram contra as correntezas, seguiram adiante quando ninguém mais os acompanhava.

A que conclusão chegamos? No mundo espiritual, não nos é permitido voltar atrás, ou sequer olhar… sob pena de ficar estacionado no caminho, como uma estátua de sal. Na carreira da fé, não nos é facultado o regresso ao Egito. Da escravidão que Deus nos tirou, ele próprio não nos permite voltar. Um mero desejo saudosista acarretará em ruína. A receita da conquista está no exemplo de Josué e Calebe: avançar, ainda que pareça loucura. Desistir é vocábulo dos perdedores. Recuar é estratégia de fracos. Parar é uma sentença de morte. Os que pretendem vencer na carreira da fé terão que avançar!

Paulo, o apóstolo, falou de sua própria experiência aos irmãos filipenses: “uma coisa faço, e é que, deixando as coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus” (Fp 3.13). A meta do apóstolo permitiu que ele chegasse ao fim da vida como poucos, tendo combatido o bom combate (sem desistir), acabado a carreira (sem renunciá-la) e guardado a fé (sem perdê-la).

Há um escape para os que não olham atrás, um descanso para os que não param na caminhada, uma recompensa para os que avançam! Temos no próprio Cristo a garantia: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida”!

AS OLIMPÍADAS DO CRISTÃO

15/02/2010

“Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis” (1 Co 9.24).

O mundo inteiro parou para assistir à esplêndida abertura dos jogos olímpicos de inverno, que, neste ano, acontecem na gelada Vancouver, no Canadá. Não sei se no Brasil houve tanta repercussão, mas os Estados Unidos propagam massivamente esse evento, mesmo porque, historicamente, é o maior vencedor na grande maioria das modalidades de jogos. Aliás, a competição desse ano foi marcada por uma grande tragédia, a morte acidental de um atleta da Georgia, um pequeno país europeu.

O Brasil, mais do que nunca, respira ares olímpicos. O ano de 2009 marcou a história do nosso país por projetá-lo mundialmente com a escolha do Rio de Janeiro como sede dos jogos em 2016. Nos próximos seis anos, viveremos com intensidade a expectativa desse grande momento, até que a grande pira olímpica seja acesa em terras brasileiras e os jogos sejam iniciados.

Na verdade, a cada quatro anos as atenções do mundo inteiro se voltam para os jogos olímpicos. Pequim, capital da China, tornou-se o centro do globo, por hospedar o evento recém acontecido. Na edição anterior, Atenas, na Grécia, também recebia atletas de todo o mundo. Cabe dizer que foi exatamente por lá que tudo começou, onde essas modalidades esportivas tornaram-se uma competição, séculos passados. Na ocaisão, os holofotes da imprensa se acenderam sobre Atenas, conhecida como berço olímpico, onde as disputas eram, primeiramente, uma forma de veneração aos deuses da mitologia grega. A mídia acompanhava cada momento, cada jogo, cada corrida, cada representação esportiva e cada atleta, transmitindo ao mundo inteiro as informações, em tempo real, dos acontecimentos, trazendo ao conhecimento de todas as pessoas quais eram os países mais bem colocados no quadro de medalhas, destacando os atletas mais conhecidos e consagrando os mais novos talentos. A técnica, nos jogos individuais, e a união, nos jogos coletivos, são características intimamente ligadas aos mais elevados e aclamados nomes esportivos.

O que me chama a atenção é a expectativa de uma nação em torno de seus atletas; a esperança de que eles farão tremular no pódio a bandeira de seu país, aos olhos do mundo inteiro. É bem verdade que quanto mais se espera de uma atleta, maior é a responsabilidade dele em corresponder a esta expectativa e, quando não consegue alcançar seu objetivo de vitória, muito mais do que uma derrota pessoal, ele traz a todo o seu povo o sentimento de frustração e até vergonha.

Todos sabemos que a preparação física de um atleta é fator indispensável para que ele possa participar de qualquer disputa. Seu condicionamento deve ser completo, acompanhado de todo um cuidado médico e fisioterápico, uma alimentação saudável, sessões rigorosas de exercício físico, além de uma disciplina pessoal, em que o atleta programa até mesmo o seu sono diário, ou seja, um horário específico para dormir. Logo, muito mais do que a técnica, o atleta precisa de preparo. Conseqüentemente, os mais bem preparados são os que vencem; os que sobem no pódio e são condecorados com as merecidas medalhas, em reconhecimento ao seu esforço.

Embora muitos cristãos contemporâneos prefiram ignorar o fato, todos somos como atletas em disputa olímpica. Não por acaso o apóstolo Paulo escreveu aos irmãos em Corinto (que, aliás, era uma cidade grega) que são muitos os que disputam uma competição, mas somente um leva o troféu. Seu conselho aos irmãos coríntios é tão bem aplicável a nós quanto foi a eles: Correi de modo que o alcanceis (1 Co 9. 24,25).

Todo cristão está numa arena de disputa, mas muitos ficam para trás porque não se apercebem dessa verdade. Infelizmente, os tais não têm lugar no pódio da vitória. As atenções do mundo espiritual estão voltadas para nós, e os expectadores das trevas torcem pela nossa derrota incansavelmente. Nessa corrida, seus participantes veneram, não aos deuses mitológicos, mas ao verdadeiro e único Deus, que coroará a cada vencedor.

Paulo disse também que os atletas que correm no estádio se abstêm de tudo, para alcançarem uma coroa corruptível. Nós, porém, que corremos pela causa do evangelho, receberemos uma recompensa eterna, que nunca perecerá. No Tribunal de Cristo, todos seremos avaliados e recompensados pelo nosso desempenho na corrida da fé, por amor ao evangelho (1 Co 5.10).

Se tivermos humildade  e sensibilidade suficientes, saberemos absorver os elementos de um disputa olímpica e aplicá-los em nossas vidas. Como igreja, no sentido coletivo, quanto mais unidos formos, mais vencedores seremos. Como crentes, individualmente, quanto mais aplicados e disciplinados formos, mais vitoriosos seremos. Não basta ao atleta a técnica, é preciso preparo. Não basta ao crente o rótulo de cristão, é preciso se preparar, na oração, no jejum e no conhecimento da Palavra de Deus. Somente estes subirão ao pódio, hastearão a bandeira da vitória e receberão a medalha de ouro. O ouro representa a glória, e, muito mais teremos da glória de Deus se tivermos este “espírito de luta”. Aos que não quiserem aplicar esta verdade em suas vidas, restará o desconsolo de ter corrido em vão, e a vergonha de ter perdido a batalha.

Há quem diga que é melhor a lágrima derramada pela derrota do que a vergonha de não ter participado da luta. Eu prefiro sugerir a você que é bem melhor sorrir pela vitória, e se orgulhar por não ter fugido da luta! Seja um vencedor em Cristo Jesus! Quando você subir ao pódio da vitória, ouvirá o hino de sua pátria amada ao som das vozes angelicais, e receberá o reconhecimento da nação celestial, num coro triunfal, reservado única e exclusivamente aos vencedores!!!

DA CRUZ À RECONCILIAÇÃO

07/02/2010

Cheguei agora mesmo da igreja. Pensei em assistir ao Fantástico, que deixo gravado para ver quando retorno da igreja, mas me veio a vontade de escrever e aqui estou. Bom, tive um dia maravilhoso, graças a Deus. Pela manhã, estivemos no culto de Ceia. À tarde, a Escola Dominical e, em seguida, o culto da noite.

Na Escola Dominical, estudamos sobre o ministério da reconciliação. Quão profundo o tema! Cristo nos reconciliou com o Pai por meio de seu sacrifício! A barreira de inimizade entre nós e Deus, causada pelo pecado, foi jogada ao chão através da ação salvadora de Jesus na cruz. Mais que isso, ele nos colocou, segundo o apóstolo Paulo (2 Co 5), em posição de reconciliadores, ou seja, em condições de conduzir os irreconciliados a uma experiência de amizade com Deus. Maravilha!

À noite, um culto agradável, de ambiente alegre, de lindos louvores e pregação objetiva e evangelística da Palavra de Deus, pelo meu pastor, Carlos Goulart. Em sua homilia, tratou o assunto da crucificação de Jesus e o impacto de sua entrega na cruz na vida daqueles que olharam (e ainda olham) para ela. Em suas palavras, disse que, ao olharmos para o Calvário, vemos ali um lugar de condenação injusta, mas também de oferta de amor. Sim, ali Deus nos ofereceu o seu amor. Como resultado dessa oferta, a salvação, a começar pelo salteador crucificado ao lado do inocente Jesus, estendida a todos quantos foram alcançados por este sublime ato de graça.

Embora Pilatos tivesse poderes para evitar a morte de Jesus, não o fez! Covardia? Talvez, mas muito antes de seu gesto de lavar as mãos, Deus já havia arquitetado que seu plano de salvação passaria por aquele negligente ato. Teria Jesus morrido por causa da atitude do representante de Roma? A resposta será sim se compreendermos que Pilatos era nosso representante, afinal, ele morreu por nossa causa também!

O que pode haver de belo numa morte tão triste e cruel? Bom, esta foi a única vez em que a morte deu a luz. Nasceu a vida, a nossa vida. Vivemos porque Jesus morreu, mas vivemos também vivemos porque ele reviveu. Não fosse sua ressureição, nossa salvação não teria se consolidado. Aleluia, Cristo vive!

Todos os grandes homens da história da humanidade, desde o princípio até hoje, por mais proeminência que tiveram, por mais importantes que foram, por mais influência ou poder que tenham exercido, nenhum deles, absolutamente nenhum, puderam escapar à força da morte. Foram levados ao túmulo, reduzidos ao pó, reservados para o juízo. Entre estes, os grandes fundadores das mais diversas religiões do mundo, a excessão, é claro, do fundador do cristianismo. Jesus Cristo está vivo, e responde como autor da nossa fé!

Isto me faz lembrar minhas pregações da infância. Quando ainda menino, gostava de recitar uma poesia (sem rima) em minhas mensagens. Talvez eu não me lembre na íntegra, mas era algo assim: “Sabe-se que o ferro é forte, mas o fogo derrete o ferro. Todos conhecem a força do fogo, mas a água apaga o fogo. A água é mais que essencial, ela é realmente forte, mas o sol, com seu calor, faz com que ela se evapore; logo, o sol é mais forte. Sim, o sol é a maior e mais forte estrela do sistema solar, mas as nuvens são mais fortes, como nos dias chuvosos em que elas escurecem o dia. As nuvens são fortes, mas são levadas pelo vento de uma para outra parte. Assim, o vento é mais forte. Não mais que os montes, porque eles param o vento, impedindo sua passagem. Os montes são fortes, mas se desfazem pela força do homem que, com suas máquinas, podem torná-los em planícies. Ah, o homem, este sim é forte! Alguns chegam a ser poderosos, ricos, famosos, influentes, idolatrados. O que há de comum em todos eles? Sucumbem diante da morte. Ninguém pode com ela, a morte é mais forte! Desde pequenos até os grandes, dos palácios aos casebres, dos brancos aos negros, dos importantes aos desconhecidos; todos morrem! Talvez a morte pudesse arrogar para si a faixa de campeã: a mais forte entre todos, afinal, nem mesmo Jesus escapou de sua força. Bom, pelo menos por dois dias. A morte não teria tanto fôlego assim para reter o dono, o autor, a própria vida. Jesus Cristo é o Todo Poderoso Deus, e vive eternamente!

CERTIFICADO PARA ANDAR COM DEUS

05/02/2010

Uma das histórias bíblicas que mais me fascina é a de Jó. Na verdade, desde minha infância, ficava maravilhado ao imaginar a experiência vivida por este grande patriarca. Penso que nenhum ser humano, em são juízo, gostaria de ser submetido a tamanha provação. Por outro lado, poucos terão o privilégio de experimentar o nível de profunda comunhão que ele desenvolveu com Deus.

Quando Satanás tirou de Jó, em duas investidas, tudo o que ele possuía, por certo pensava que sua vítima renunciaria à sua integridade, abriria mão de seus valores morais. Entretanto, Jó não o fez. Pelo contrário, adorou ao Senhor (Jó 1.20). Os recursos malignos das trevas haviam se esgotado. Jó frustrou os intentos do diabo e honrou o testemunho que Deus havia dado a seu respeito.

No entanto, o que realmente me leva a refletir em sua biografia é o fato de que Deus permitiu que fosse levado à extrema provação. Não bastassem as perdas materiais, perdera também seus filhos, o amparo emocional de sua esposa e amigos, a saúde, a honra e a dignidade. O que restava a Jó? A primeira vista, nada, absolutamente nada; da perspectiva espiritual, tudo, absolutamente tudo!

Não só os valores morais de Jó foram preservados intactos durante sua provação, como também os planos de Deus para a sua vida. Aliás, por causa dos planos de Deus é que ele não renunciou à sua integridade. O Senhor reservou uma cadeira especial para Jó na escola da vida, sua matrícula na faculdade de Deus estava garantida, e ele fez questão de ser o melhor aluno. Ao fim do curso, o legado: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (42.2).

Jó não sabia antes de passar pela escola; ele aprendeu por lá. Descobriu a soberania de Deus! A sensação? Imagino que bem parecida à de uma criança quando aprende a ler: um mundo novo se descortina diante de si. É isto: um mundo novo fora revelado a Jó, numa esfera superior, numa dimensão em que Satanás não poderia lhe tocar jamais. Jó aprendeu que uma das coisas em que Satanás não toca é nos planos que o Senhor estabeleceu antes da fundação do mundo. Isto se chama soberania; o patriarca acabara de descobrir a soberania de Deus! Quais os benefícios desse aprendizado? O que acontece quando aprendemos a reconhecer a soberania de Deus? Recebemos um diploma! Deus tem um certificado a entregar aos aprovados no fim do curso da provação.

A colação de grau de Jó tinha dia e hora marcados. Um versículo bíblico registrou o momento da entrega do canudo ao melhor dos estudantes: “Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem” (42.5). Sim, este foi o certificado do patriarca, uma relação pessoal com Deus! Que prêmio poderia ser melhor que este? A primeira vista, parece pouco, absolutamente pouco; da perspectiva espiritual isto era tudo, absolutamente tudo! Jó foi demovido de seu lugar distante e trazido para um lugar bem perto do Senhor. Ele passou de um relacionamento impessoal, terceirizado, para um relacionamento íntimo, pessoal com o Senhor. Ele próprio confessa que seu conhecimento era meramente teórico: “Antes eu te conhecia só de ouvir falar”. Na universidade divina, ele adquiriu o conhecimento prático.

A praticidade da comunhão com Deus está na nossa caminhada com ele. Para se conhecer alguém de perto, é necessário estudá-lo. Para estudar alguém, é necessário conviver. Só será possível conhecer alguém profundamente se andarmos com ele. Do contrário, o conhecimento será superficial. Jó conhecia a Deus superficialmente, e isto era bastante para temê-lo, mas não era bastante para receber o certificado de amigo íntimo do Senhor.

Todos quantos queiram relacionar-se com Deus precisam entender que ele submete nosso caráter, intenções e lealdade ao teste. O certificado só será entregue aos aprovados, e Deus não vende o gabarito da prova. O vestibular pode vir a ser doloroso, desgastante, sofrível. Pode implicar em perdas, lágrimas, noites mal dormidas. Pode exigir renúncias, esforço extremo. Então, o que o faz valer à pena? A comunhão com Deus, ela faz valer a pena. O salmista disse: “Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra” e “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos” (Sl 119.68, 71). É como quem diz: valeu a pena passar pelo vestibular pra que hoje eu pudesse me formar!

Jó se formou na fôrma de Deus. Agora, não era apenas reto, íntegro, temente e afastado do mal; fora promovido a amigo íntimo de Deus: “de contigo andar”. Jó passou a ver Deus de perto, face a face, olhos nos olhos. A criação em interação com o Criador. Isto recompensou o seu sofrimento. Certamente, se o patriarca recebesse um diploma para seus valores de justiça, retidão, temor e por se desviar do mal, nenhum deles teria mais destaque em sua galeria do que o certificado da moldura de ouro: um relacionamento pessoal com Deus.

Talvez, nem assim queiramos passar pelo que Jó passou. Talvez por isso mesmo nunca experimentemos a sensação de andar com Deus como ele andou!

DEUS AINDA MOVE ÁGUAS???

05/02/2010

No último fim de semana fui ao estado da Carolina do Sul, na linda e famosa cidade de Myrtle Beach, um dos grandes centros de entretenimento da costa leste dos Estados Unidos, e onde estão algumas das mais lindas praias da região. Temos uma congregação de nossa igreja por lá. Entre os dias 29 e 31 de Janeiro, comemoramos o 3º aniversário da igreja. Eu fui convidado a pregar nos três dias de festa.

Confesso que tive dificuldades com o tema: “Deus ainda move águas”, com base no capítulo 47 de Ezequiel, que trata da torrente de águas purificadoras. Me pareceu subjetivo, indefinido, sem propósito específico. Normalmente, os ouvintes criam uma expectativa de ouvir uma palavra diferente da que me proponho a pregar. Vou explicar melhor. Particularmente, entendo que Jesus é o centro da Bíblia e nos foi revelado em toda ela, de forma objetiva ou subjetiva. No Antigo Testamento, corremos o risco de fazer algumas interpretações forçadas, equivocadas, se desconsiderarmos que nas entrelinhas há uma revelação messiânica. Os profetas, por exemplo, falaram de coisas que eles mesmos não sabiam; tiveram visões que não entendiam, mas todos profetizavam uma mesma mensagem: um libertador seria enviado para Israel. Jesus é o cumprimento das profecias e a materizalização das visões.

No texto em questão (Ez 47), o profeta vê um ribeiro de águas que corriam para o oriente. Ele foi conduzido por um homem que tinha nas mãos uma espécie de fita métrica, que passou a medir de mil em mil côvados (cerca de 450 metros). A cada medida, o profeta era convidado a entrar no rio, sendo que primeiro as águas lhe vieram ao tornozelo, depois aos joelhos, em seguida, à cintura e, por fim, já não podia mais dar pé. Ao retornar à margem, ele observou quanta vida aquele rio produzira, em ambos os lados. Tamanha a sua capacidade de reviver o que estivera morto, que até o Mar Morto, na visão do profeta, era sarado. Por onde esse rio passasse, ele transformava o cenário de morte em vida.

O profeta Ezequiel estava cativo na Babilônia, junto aos demais judeus que pra lá foram deportados. A situação espiritual deles era de morte, aparentemente irreversível. A figura do Mar Morto ilustra bem o estado espiritual dos judeus. O Mar Morto tem esse nome devido a grande quantidade de sal que há nele, dez vezes superior à dos demais oceanos, o que torna impossível qualquer forma de vida, flora ou fauna, em suas águas. Qualquer peixe que seja transportado pelo Rio Jordão morre imediatamente, assim que desagua neste lago de água salgada. Da mesma forma, os judeus haviam morrido, vitimados pelo pecado da idolatria e desobediência a Deus.

Na visão do profeta, o rio de águas purificadoras adentrou os domínios da morte, e fez crescer frondosas árvores às suas margens, árvores frutíferas, cujos frutos serviam de alimento, e as suas folhas de remédio. O profeta estava tendo uma visão messiânica. Jesus é o rio que produz vida. Ele mesmo declarou esta verdade à mulher samariatana: “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” (Jo 4.14). Ele haveria de trazer restauração ao povo que estava espiritualmente morto. Esse rio, chamado Jesus, promoveu restauração por todos os ambientes por onde passou: libertou cativos, curou cegos, paralíticos e enfermos de todas as classes. Todas as pessoas que se encontraram com Jesus tiveram suas vidas radicalmente mudadas. A mulher samaritana, por exemplo, foi transformada de deserto espiritual em manancial de vida; de adúltera e imoral para missionária e evangelista. Vivia em condição de morte, mas Jesus fez dela uma árvore frutífera, cujos frutos serviram de alimento aos samaritanos, e suas folhas de remédio. Os méritos, obviamente, não estavam na mulher. Os méritos nunca estão nas árvores, nos frutos ou nas folhas. Os méritos estão no rio que produz vida: Jesus Cristo!

Bom, voltando ao tema “Deus ainda move águas”, penso que seria mais proveitoso se fosse direcionado, com propósito definido. Se Jesus Cristo é o rio das águas que descem de Deus e dão vida, porque não sermos mais objetivos? Acredito que ganharíamos mais se, ao invés de “Deus ainda move águas”, usássemos “Cristo: as águas que dão vida”! Percebeu a diferença? O primeiro é amplo, indefinido, dá margem para interpretações forçadas e malabarismos dos pregadores. O segundo é objetivo, lúcido e direcionado. O que então nos faz trocar o claro pelo obscuro; o certo pelo duvidoso? Talvez porque o obscuro e duvidoso pareça mais atraente, soe mais interessante.

Percebo que dentro do contexto eclesiástico moderno, há fortes tendências em usar este tipo de jargão para criar movimentos nas igrejas. É a exploração da Palavra de Deus de forma subjetiva. O neopentecostalismo proporcionou um ambiente propício ao surgimento de frases de efeito, carregadas de boa dose de heresias ou inutilidades, aplicadas sem propósito definido, o que contraria a objetividade da Palavra de Deus. Infelizmente, nós, os pentecostais (note que estou incluído), nos deixamos influenciar por essas tendências, e somos seduzidos ao uso da Bíblia em defesa dos interesses denominacionalistas em detrimento do Reino de Deus. O que realmente quero dizer com isto é que adotamos a estratégia dos movimentos pseudopentecostais para enchermos nossos templos: florear a Palavra de Deus para fazê-la parecer mais atraente. Isto se faz com o acréscimo de uma medida de misticismo, uma pitada de sincretismo, com espaço para influências do espiritismo, e uma boa dose de indiferença para com a integridade do Evangelho.

O Evangelho é simples e objetivo. Por que maquiá-lo, como se carecesse de “retoques” humanos para se tornar mais atraente? Por que usá-lo subjetivamente? Por que insistimos em usá-lo em defesa dos nossos interesses, sem considerar o seu verdadeiro sentido? Por que não fundamentamos nossos temas em passagens bíblicas claramente evangelísticas, tais como “Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Hb 13.8), ou mesmo: “E conhecereis a Verdade, e a Verdade te libertará” (Jo 8.32)? Bom, até que todos sejamos capazes de compreender esses desvios, iremos conviver com a superficialidade da parte daqueles que estão preocupados em agradar ao público, e não necessariamente a Deus!

A FRONTEIRA DA IMPOSSIBILIDADE

04/02/2010

O homem natural tem o curso de sua vida compreendido dentro dos limites das possibilidades, ou seja, todo ser humano é apto a fazer o que é possível. Todavia, no campo das impossiblidades, nenhum humano pode entrar. Não há quem possua passaporte para romper esta fronteira; é uma área restrita, inalcançável, inatingível. O impossível não pode ser feito por mãos humanas. Exatamente por isto é que ele existe! Deus faz o impossível! Deus entra onde os homens não entram. Deus vê o que nós não podemos ver e faz o que não podemos fazer. Exatamente por isto, o impossível para Deus não existe!

Deus prometeu a Abraão uma descendência quando todas as situações eram contraditórias, quando tudo parecia impossível. Abraão tinha 75 anos de idade quando recebeu de Deus a promessa. Sua mulher, Sara, era 10 anos mais nova do que ele. Até àquela altura da vida não haviam tido um filho, porque Sara era estéril. Ao longo de toda a juventude desejaram um filho. Agora não mais. Eram muito velhos para isto. As forças físicas haviam se exaurido, já não tinham mais vigor nem esperanças. Um ventre fértil por natureza não geraria um filho a essa altura da vida, quanto mais um estéril. Apesar das aparentes contradições, Deus fez a promessa a Abraão, dizendo que seria pai de uma grande nação. Embora Sara tenha se prendido às suas impossibilidades, Deus havia lhes prometido o impossível. Ainda que Sara tenha questionado dentro de si e rido ironicamente da promessa, Deus a reafirmou: “Por que se riu Sara, dizendo: Será verdade que darei ainda à luz, sendo velha? Acaso, para o SENHOR há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.13-14). Como resposta à duvida de Sara e aos anseios de Abraão, Deus lhes concedeu o filho prometido, agindo sobrenaturalmente sobre o impossível, para fazê-lo acontecer.

Ao longo de toda a história da humanidade, Deus manifestou seu poder sobrenatural convertendo em realidade o que antes era impossível. Os homens são limitados ao que é possível, mas isto não ocorre com Deus. Por isto, todas as vezes em que se fez necessário acontecer o impossível, Deus interveio no processo. O nascimento virginal de Jesus foi uma dessas intervenções. Na situação em que o anjo Gabriel fora enviado a Maria para anunciar que ela seria mãe do Filho de Deus havia uma questão controversa: como poderia ser mãe uma mulher que era virgem? Não bastasse essa aparente contradição, o anjo ainda anunciou a gravidez de Isabel, prima de Maria. Mais uma aparente impossibilidade: Isabel era estéril. Maria não somente deu a luz ao Filho prometido como também viu sua prima infértil gerar no seu ventre um bebê! Para Deus não há impossíveis!

Durante o percurso da vida, somos diariamente confrontados com o impossível. Ele pertence a nós, mas não a Deus. Quando de sua conveniência, o Senhor fará o impossível acontecer em nossas vidas, em nosso favor!


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